“Como ela era linda”, foram as primeiras palavras que me vieram a mente no momento em que a vi. Aquele sorriso leve, inocente e cheio de brilho me fizeram perceber que algo estava diferente, eu havia mudado… Mas agora não é o momento certo para falar de mim…voltemos nossa atenção a Mary.
Em mundo totalmente novo, ela apareceu como dois planetas que se colidem, mesmo tendo orbitas, talvez ate sistema de solares diferentes. Seria impossível ter tido aquele encontro de olhares dada as circunstancias da vida. Quando somos tão diferentes uns dos outros não achamos possível poder se permitir estar na vida de outro. Climas, expressões, jeito de falar, amigos e alem do mais, como principal deles, as cicatrizes das nossas feridas que fomos afligidos durante a vida. Todas essas coisas nos fazem criar certos tipos de que posso chamar “classificações”. Não quero entrar no mérito dos “modelos mentais” criados pela psicologia para estudar nosso comportamento humano. Não, esse livro não é para buscar justificativas para o sentimento de atração que tive naquele breve instante em que nossos olhos se olharam. A velhos e sábios clichês que dizem que o “amor não se entende, se deixa entender pelo amor”. Mas seria isso mesmo? Foi amor? Não tenho essa reposta para vocês ainda, por mais pequena que seja a pergunta. Como personagem principal desse livro, posso dizer que ela esta presente até hoje comigo, quase 20 anos depois do primeiro “olhar de olhares”.
Falar sobre mundos diferentes, em especial o mundo dela é muito difícil, impossível medir o quão impactante foi seu mundo durante a sua vida, mas arrisco dizer que consegui entender um pouco agora em 2020 aquela menina de sorriso leve e inocente que conheci em 2003. Como levei tanto para conhece la? Talvez essa seja sua pergunta. Mas essa capitulo, não é sobre mim…apesar de ainda estar falando… essa capítulo é sobre ela, a menina do olhar inocente.
Aquele ano foi de pequenas mudanças na vida de Mary. Com uma criação patriarcal, onde o pai tem todos os poderes reais sobre a família, tanto esposa como filhos, Mary cresceu em um ambiente privado de diversas coisas. Seu pai por seguir os costumes da época se esforçava no trabalho rural, para ter toda a família junta perto de si. Quero voltar a dele em alguns capítulos a frente, fiquemos apenas com esses pontos por enquanto. Uma garota vivendo na fazenda e com pais funcionários de grandes proprietários de terras foi esse o começo da vida de Mary. Consegue imaginar como foi? Era nesse ambiente que aquela garota inocente começou a perceber o mundo sua volta. Coisas boas vieram desse mundo, o sorriso inocente…há como era lindo aquele sorriso… o brilho nos olhos de uma garota que sabia que cada conquista era importante. Não posso me esquecer da bondade e gentileza. Poucos minutos de observação você poderia perceber como ela era doce. Coisas ruins também vieram infelizmente, essa desigualdade entre rico e pobre a afetou drasticamente, tanto ao ponto de anos depois, ser uns dos principais motivos de sua mudança. Um ambiente em que se esta acostumado a ter pouco e mesmo assim ser feliz, pode te proporcionar alguns momentos de felicidade, mas eles logam se apagam com a falta de igualdade e direitos, com a fome, com o desprezo pela sociedade que marca você diante das suas posses. Nesse ambiente que ela cresceu, tendo sido criada com valores extremamente importantes que a tornaram um grande pessoa mas que criaram algumas cicatrizes em sua pele.
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